• INSTITUTO FLÁVIO LUCE

O EGATESPO EM TEMPOS DE CRISE

Atualizado: Jun 5

POR Fernando Molinos Pires Filho


“ O EGATESPO EM TEMPOS DE CRISE”

De certa forma esse pequeno registro dá continuidade a outro que, a pedido de colegas, publicamos no Blog do Instituto Flavio Luce (www.institutoflavioluce.org.br), ainda em março, sob o título de “A Epidemia de coronavirus e a categoria odontológica – um tema para reflexão” e, de alguma forma, a postagens que temos feito (dias 2, 4 e 5 de abril) na rede da ABRASBUCO (abrasbuco@yahoogrupos.com.br), como participante de uma discussão que vem nela sendo feita para tratar das questões históricas de sua constituição, de continuidade de sua existência e do papel que lhe cabe assumir em relação a defesa da saúde como direito de cidadania e responsabilidade do Estado, expressos nas políticas sociais , em particular, as de saúde e nas condições para funcionamento do SUS. Essa Entidade organiza o ENATESPO - Evento nacional para o qual devem confluir os posicionamentos que tiraremos em nosso EGATESPO.


Todavia, sua produção, mais especificamente, responde a Colega, participante do GRUPO EGATESPO, que em conversa telefônica nos questionava sobre a “oportunidade” de, neste particular momento de vida de nosso país, continuarmos desenvolvendo a apresentação de postagens que sob o título RESPONDENDO A PERGUNTAS, esclarecíamos sob organização desse Evento. Em nosso entender, mais que uma dúvida, essa manifestação expressava uma espécie de vontade de discutirmos o seguinte tema:


NESTE MOMENTO QUE ESTAMOS VIVENDO, NÃO DEVERIAMOS ESTAR, NESTE GRUPO, NOS OCUPANDO DE DISCUTIR SOBRE QUAL A RELAÇÃO DA CRISE DO COVID-19 COM O EGATESPO?


Assim, compreendemos que essa consulta do colega embora não se referisse, propriamente a organização do Evento, era relevante e merecia uma manifestação, embora a resposta pudesse ser mais longa e demandasse um tempo a mais para sua leitura.


Julgamos necessário, antes disso, reafirmar, como já havíamos anunciamos nas mensagens anteriores, que o EGATESPO só se efetivará após vencermos a crise da pandemia, quando pudermos alcançar um “patamar de normalidade” - que, sabemos será de uma “nova normalidade” - ofereça as condições necessárias a sua realização. Assim, as postagens que vimos fazendo não objetivam forçar a definição de sua realização, neste momento. O que temos tentando fazer nesse interregno, em que estamos todos, profundamente, envolvidos com as questões relacionadas a pandemia que nos atinge e, até mesmo, como um derivativo as nossas angustias, potencializadas não só pelas conseqüências do fenômeno em si mas, também, pelo isolamento e restrições ao convívio a que estávamos acostumados, é manter aceso um diálogo que permita, conhecermos, um pouco mais, sobre o que é e com que finalidade pretendemos construir esse Evento, de forma a torná-lo mais conseqüente e participativo para os que atuam no campo da saúde coletiva.


Além disso, reconhecemos o quanto é difícil, no quadro da crise sanitária que enfrenta a humanidade, nos concentrarmos em algo que não seja as estratégias e medidas de combate que precisam ser adotadas para enfrentar as ameaças de morte que pairam sobre todos nós. Por essa razão, nessa circunstância, sempre também dissemos que pensar e discutir sobre a organização do ENATESPO, neste momento, constituía-se em algo difícil e para alguns, até menos questionável em sua oportunidade, o que se confirmou com a consulta que recebemos do colega, a qual, consideramos, deveríamos dar a máxima atenção.


Ou seja, a realidade da crise ampliada- hoje sanitária, econômica e política que vem se desdobrando aos olhos estarrecidos da nação, de uma parte, desprioriza qualquer outra questão mas, de outra, nos fez ver as limitações e insuficiência da matriz de pensamento fragmentado que até então se empregava para ler a realidade. Ou seja, a impossibilidade de se encarar a pandemia, como um problema de saúde, independente da economia e da política, todos expressões de um uma única matriz - o modo que se organiza a sociedade para o processo viver.

As inter-relações de conseqüências entre essas instâcias escancarou, sem maior necessidade de justificativas e debates teóricos, a depêndencia existente entre elas, e a impossibilidade de pensá-las e tratá-las como questões independentes.


De outra parte descontruiu a possibilidade de em suas tentativas de explicação ignorar um passado, além do presente e de um certo futuro desejável. Ou seja sai vitorioso dessa realidade que vivemos o velho conceito de que ela – a realidade - é uma construção histórica, una, diversa e contraditória, não estática que pode ser modificada, reconstruída pela dinâmica das forças sócias que se organizam a partir de suas condições existências construindo suas ideologias próprias, presentes, independentemente, da vontade daqueles que querem escondê-la, ou indevidamente empregá-las para desqualificar os agires daqueles que se contrapõem as situações de dominação.


Portanto, desvenda-se na crise um “panorama” diverso do que nos oferece o pensamento fragmentado, impondo a necessidade de se utilizar outra matriz de compreender os acontecimentos que marcam o viver da sociedade. Uma matriz de pensar a lógica que preside a relação que constrói a totalidade das coisas e dos fenômenos sejam eles da que natureza que forem. Dito de forma simples: saúde é política, política é saúde Ou seja, esse “momento” de crise, melhor dito essa “a situação” de crise, que se prolonga sem controle para que possamos dizer quando termina, demanda de qualquer ser pensante, por menor que seja seu nível de consciência da realidade, desenvolver esforços para compreender a interdependência entre saúde, economia e política.


Portanto, a proposta de conversação sobre o EGATESPO, neste momento, não visa a tomada de providências para sua execução imediata, mas, fundamentalmente, para alertar companheiros para a tarefa que adiante teremos de assumir em suas consequências, mas, certamente, melhor preparados para dar curso as medidas que terão de ser desenvolvidas para, no momento oportuno, viabilizar sua realização e garantir-lhe conseqüência que a sociedade espera de um encontro que reúne trabalhadores profissionais, que tem responsabilidades em relação a sociedade.


È exatamente esse propósito de busca de compreensão sobre o propósito e responsabilidades que recaem sobre o Evento que nos obriga a abrir espaço, nessa nossa programação de mensagens para uma reflexão sobre as conseqüências que decorrem do momento que vivemos, demanda expressa na manifestação do colega.


Nesse sentido, é preciso reconhecer que o EGATESPO diz respeito a uma preocupação que no momento ganha centralidade – o combate a pandemia - mas que carrega uma história. Ou seja, existe uma relação muito próxima entre as consequências da pandemia e o que tratamos nas postagens anteriores, em particular a de nº 5 em que enunciamos os objetivos e as finalidades do Evento.


Que questão é essa? - referimo-nos a mudança que a crise que vivemos vem provocando em nossa forma de ler o mundo, de ler a nossa vida de relação, de nos questionar sobre o sentido de nossa existência - daí a necessidade de lhe dar continuidade, após estes esclarecimentos iniciais.


Entendemos que essa nova leitura nos faz ver o quanto nossa vida é vulnerável e o quanto precisamos repensar nossos comportamentos e responsabilidades individuais e coletivas frente as nossas formas de viver e de organizar nossa sociedade.


Nos faz pensar sobre o amanhã e sobre a necessidade de redimensionar prioridades e valores, entre os quais se destacam os de soledariedade, de direitos, de justiça e igualdade, recolocando-nos e reconectando-nos em nossa busca de integralidade entre nossos pensares e fazeres, que o mundo de até então, de forma automática, estava separando. Ou seja, a saúde, em sua máxima expressão de vida, ganhou centralidade e nos mostrou que contra ela se colocam as distâncias entre o ter e o ser expressos nas diferenças entre as lógicas do mercado e das políticas sócias.


Mas se isso não é suficiente e relevante para compreendermos a necessidade e o significado de realização de um “encontro” para pensar e discutir sobre saúde, cabe ainda considerar o Encontro como oportunidade de nos reconectarmos para juntos pensar no mais amplo sentido do que viver pode significar, é preciso não deixar de ver e ler que é neste exato momento que a crise vista como “sanitária” revela seu sentido ideológico, econômico e político, que se associam, pelos acontecimentos de ações governamentais mal conduzidas, nos empurrando perigosamente, para um quadro de “tempestade perfeita”, onde tudo que era pensado separadamente junta-se em suas conseqüências mais aterradoras.


Ainda assim, se julgarmos que tudo isso é “poesia” e não diz respeito ao nosso campo de trabalho profissional, nos escondendo da condição de cidadãos, é preciso chegar mais próximo a nosso campo de atuação.


Considerem, por exemplo, como, nesse momento, a pandemia fez a sociedade refletir sobre seus sistemas de saúde, suas diferentes concepções e organizações e real capacidade de responder as necessidades de saúde, em ultima análise, de preservação da vida, da qualidade de vida impostas ao membros dessas sociedades, colocando em outro patamar de importância não só o valor desses sistemas de atenção mas a responsabilidade com que os Estados vem dispensando a eles, em termos de condições adequadas ao seu pleno funcionamento.


Pensem como a sociedade foi levada a reconhecer, sem necessidade de discursos de auto promoção, o papel dos profissionais de saúde, as precárias condições em que atuam e o senso de responsabilidade com que respondem a seus papéis de trabalhadores sociais. Aliado a isso, como teve a capacidade de distinguir entre os discursos de conveniências e interesses pessoais e o conhecimento cientifico, voltado para fundamentar o agir profissional e depositar esperanças nas descobertas da pesquisa científica e nas intituições onde esse saber é produzido, mesmo quando são submetidas a cortes de seus recursos humanos, financeiros e materiais, assumidos como necessidade de cumprir e atingir ajustes fiscais e favorecer interesses do capital.


De outra parte, esse momento de luta, lança luzes mais claras sobre outras questões que estão presentes no cenário das práticas de saúde e que precisam estar presente na agenda de nossas considerações.


Entre elas , como exemplo, podemos citar, a forma de ler os fenômenos e episódios da agravo a saúde, tradicionalmente no senso comum, restrito ao tradicional diagnóstico clínico, colocando em evidência e o valor do diagnóstico epidemiológico e seus recursos de operacionalização. Tal forma de olhar, ampliou, também, a dimensão que se atribui a conceitos de grande uso e aplicação clínica como os dos chamados “grupos de riscos” e que no caso do enfrentamento ao Coronavirus não se referem e se restringem apenas aos idosos vulneráveis por serem idosos e portadores de determinadas enfermidades, mas sobretudo aos segmentos excluídos da sociedade de classe que vivemos, cidadãos como nós que, entretanto não dispõem do recursos de defesa que nós ainda conseguimos dispor, esses , sim, os verdadeiros vulneráveis da sociedades de classe que produzem as desigualdades, promovem a exclusão, a discriminação a injustiça, o autoritarismo, a fragilização da democracia e a oportunidade para o surgimento de pseudos lideranças, messiânicas, irresponsáveis e criminosas pelo desprezo a vida de todos os cidadadãos, em especial, aqueles que são os verdadeiros portadores da condição de “grupos de risco”.

POR TUDO ISSO E POR OUTRAS QUESTÕES QUE SE COLOCARÃO, CERTAMENTE, AO LONGO DA EVOLUÇÃO DA CONJUNTURA COMPREENDER A ORGANIZAÇÃO DO EGATESPO É TAREFA OPORTUNA PARA O "MOMENTO" E PRECISA SER ASSUMIDA POR TODOS OS PROFISSIONAIS COMPROMETIDO COM AS PAUTAS DO CAMPO DA SAÚDE BUCAL COLETIVA.

INSCREVAM-SE NO GRUPO EGATESPO. SEJAM BEM VINDOS!




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